
Koh Okabe nasceu em Tóquio no ano de 1957. Começou a fotografar aos 14 anos e, aos 20, publicou o seu primeiro livro, “Fluid”. Nas duas últimas décadas tem-se dedicado em especial à world music, onde teve a oportunidade de fotografar intensivamente alguns dos mais importantes e históricos músicos do mundo. Neste momento encontra-se em Sines, para promover a sua exposição de fotografia na Capela e para cobrir o FMM. O Blog do FMM esteve à conversa com o fotógrafo.
FMM - Como é que a mistura entre a fotografia e a música surgiu na sua vida?
Koh Okabe - Aconteceu tudo de uma forma bastante natural. Comecei a estudar fotografia na infância, mas sempre partilhando esta actividade com o gosto pela música. Nas primeiras vezes que fui a concertos fi-lo enquanto mero espectador, por apreciar o tipo de música, mas depois resolvi aproveitar esses concertos para tirar fotografias, sobretudo nos espectáculos dos meus amigos e dos meus grupos favoritos. Acontece que mais tarde esses amigos, juntamente com um editor, precisaram de reunir um conjunto de fotografias dos tempos em que eram amadores. Eu resolvi apresentar os meus álbuns ao editor, que gostou das minhas fotografias e me contratou. A partir daqui comecei a carreira como fotógrafo profissional, que tem sido ligada à música e aos palcos.
Desde 1985, que o seu trabalho, enquanto fotógrafo, tem vindo a inclinar-se para a música do mundo. Porque esta abordagem?
No início dediquei-me sobretudo à música rock e por isso trabalhei vários anos como fotógrafo de grupos roqueiros. Mas um dia, fui convidado para assistir a um concerto de Amália Rodrigues. Não conhecia nem a cantora nem a sua música, mas resolvi ir e fazer um trabalho. Apaixonei-me pela sua voz e pela sua música de tal forma que a Amália marcou, sem dúvidas, a minha entrada na música do mundo. Depois dela, comecei a escutar música do mundo e a fazer trabalhos com vários artistas mundiais dentro estilo.
Como surgiu esta oportunidade de vir a Portugal e de expor na Capela, aqui em Sines?
Portugal é um país muito importante e muito especial, porque a minha entrada na música do mundo aconteceu através da voz de Amália. Não conhecia este país, mas sempre tive a vontade de o descobrir. Surgiu a oportunidade de mostrar o meu trabalho através de uma exposição na Capela da Misericórdia, em Sines, e não hesitei em aceitar. Estou a gostar imenso, até porque Sines é uma cidade muito bonita e simpática.
Antes de chegar a Sines, passei ainda por Lisboa, para visitar a casa de Amália e ver o original de uma fotografia que lhe tinha tirado e que ela considerava ser a sua melhor foto. A Amália, sempre que ia ao Japão, mandava-me buscar para ser o seu fotógrafo. Ela chamava-me o seu fotógrafo roqueiro (risos).
Que tipo de sensações pretende transmitir com o seu trabalho?
Eu sou um amante da música e através das minhas fotografias pretendo transmitir ao público a luz e o som do instante que tenho com os artistas e a emoção que mantenho com eles durante o espectáculo. O meu trabalho reflecte não só a postura dos artistas durante os concertos, mas também o seu som e sentimento.
Esta é a primeira vez que assiste ao FMM. Quais são as suas expectativas para os três dias de concertos que ai vêem?
Ainda não conheço o festival em concreto, pois é a minha primeira visita. No entanto, tive a oportunidade, através do site oficial, de tomar contacto com o grupo de artistas que vai estar presente. Acho que é uma selecção fabulosa, com um nível de qualidade muito alto, por isso as minhas expectativas são elevadas e acho que vamos assistir a grandes espectáculos.
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