
São de Lisboa, são primos e chamam-se Francisco Cordeiro e Diogo Cordeiro. Resolveram vir até ao FMM de bicicleta, um festival onde ainda existe “espírito de comunidade”.
FMM: Como surgiu a ideia de virem de bicicleta desde Lisboa até Sines para a sétima edição do FMM?
Francisco: Este é o quarto ano consecutivo que venho ao FMM. Nos anos anteriores tenho vindo sempre de carro e tenho descido a costa alentejana de carro. Conheço as estradas, conheço os caminhos, mas queria explorá-los de outra maneira. Há cerca de um ano comprei uma bicicleta, com o intuito de passado um ano iniciar uma viagem e creio que esta seja o prelúdio de muitas mais.
Diogo: A ideia partiu do meu primo Francisco, que me informou estar a pensar vir de bicicleta até Sines para assistir ao festival. A ideia agradou-me imenso e recordando-me um pouco da viagem do Diário de Che Guevara, onde ele superou imensos obstáculos e chegou onde quis, pensei que não era nada de impossível e resolvemos começar a nossa caminhada até Sines. Estamos apenas a meio do percurso, pois quando acabar o festival vamos voltar para Lisboa também de bicicleta.
Qual foi o percurso que seguiram para chegar até Sines?
Francisco: Fomos seguindo a linha da costa: primeiro fomos de barco desde Lisboa até ao Barreiro, do Barreiro chegámos até Setúbal via Azeitão, que á a parte mais difícil do percurso, pois tem subidas algo complicada. Depois fomos de ferry até Tróia e a partir daí seguimos o trajecto de toda a península. Passámos por Comporta, depois estivemos no Carvalhal a primeira noite. Continuamos a descer e passámos a segunda noite em Santo André, para beber umas “bejecas”, pois este é o nosso combustível. Depois foi só chegar até Sines.
Como tem corrido até agora a vossa viagem? Muitas peripécias?
Diogo: Eu estou a viver esta aventura muito intensamente, pois nunca tinha feito este percurso, nem de carro, nem de bicicleta. Pode parecer estranho, mas nunca tinha ido a Tróia, nem nunca tinha andado de ferry boat, e por isso, para mim, cada pedalada ou cada metro quadrado, foi uma novidade completa. Uma das grandes peripécias foi termos feito os primeiros 60 km da viagem com umas mochilas grandes de campismo (50 litros) às costas. Não foi nada fácil e nesta fase da viagem andámos a uma velocidade de 5-10 km por hora (risos). Mais tarde, e depois de termos conhecido uns italianos, que também estavam de bicicleta e que nos chamaram loucos por pedalarmos com aquele peso nas costas, resolvemos amarrar tudo à bicicleta com umas cordas. A partir daqui começámos a andar muito mais depressa.
Francisco: Como peripécia destaco um furo que tive quando estávamos prestes a fazer uma subida. O meu primo ultrapassou-me e como não quis perder o embalo fez a subida sem esperar por mim, que tive de parar pois tinha o pneu em baixo. Acontece que enquanto eu estava a trocar o pneu começou a chover e tive de trocar o pneu à chuva, apenas protegido por uma pequena árvore. Felizmente o aguaceiro durou pouco.
Quais são as vossas expectativas para esta edição do FMM?
Francisco: Acima de tudo, o que espero é ver alegria e cor, que é o que este festival nos tem habituado. Essencialmente, descobrir novas coisas e novos sons e redescobrir algumas coisas que já conheço, como o The Master Musicians of Jajouka. Agrada-me presenciar a expansão que o festival teve neste ano, como o ciclo de cinema, os workshops, o concerto em Porto Covo. Sinto que as pessoas vêm a este festival para escutar a música, para sentir a música e isso é muito diferente de outros festivais.
Diogo: Depois desta viagem, desta mini-loucura, o que nos apetece ter agora são bons momentos de descontracção e divertimento. Esta viagem marca a minha estreia no FMM e estou expectante quanto ao que vou assistir, pois amigos meus já me disseram muitas coisas boas sobre o festival. Acho que neste tipo de festivais existe mais interacção com as pessoas e existe um maior espírito de comunidade, o que me agrada bastante.
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